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Os velórios

por Maki, em 31.08.17

Em toda a minha vida fui a dois velórios, o da minha avó e o da avó de uma amiga. O da minha avó custou-me horrores, porque pronto... Era o da minha avó, mas nem quero pensar no quão lixado deve estar a ser para ela estar lá.

Quando fui ao da minha avó eu chorei, chorei imenso, hiperventilei foi uma alegria para os "papa funerais", mas também me ri, ri-me bastante, contei piadas e relembrei os meus avós, a minha família juntou se a contar histórias sobre eles. Agora que olho para trás vejo que foi saudável. Fez-me bem tanto chorar como rir.

No velório da avó da minha amiga não se ouvia uma palavra, todos estão a sofrer em silêncio e de forma equilibrada. Há momentos em que não temos que ser equilibrados. Há momentos em que temos o direito de chorar baba e ranho! E este é um deles... Tive pena de não poder estar lá muito tempo... De não me ter apercebido que ela não queria rir e ter mandado uma piada sobre os "papa funerais". Eu tenho que aprender a estar calada mas ela tem que aprender a explodir.

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publicado às 00:27

Problemas de ser toda boa

por Maki, em 16.08.17

Hoje fui dar uma volta com uma amiga, como somos de uma terrinha ir a um café implica desfilar pela esplanada do mesmo e ser o tema de conversa de quem lá está até que apareçam novos clientes, ora, como nós estávamos extremamente sensualonas decidimos que era melhor ir a uma maquina buscar as gomas para evitar que nos invejassem. 

Ao virarmos a esquina que antecede a bendita maquina vimos que havia uma fila para chegar à mesma constituída por pitas.  Não sei se foi a minha blusa russa, o fato-de-treino da minha amiga, o facto das minhas calças não serem justas ao ponto de me impedirem dar passos longos, o meu bigodinho, estarmos a histórias estúpidas ou possuirmos a barriguinha tapada, mas a verdade é que elas estavam hipnotizadas com a nossa presença... Nunca me senti tão observada na vida. Elas estavam a falar umas com as outras para decidir o que comprar mas estavam a olhar para nós. Elas estavam a apanhar o produto da maquina mas olhavam para nós. Elas estavam a abalar, mas continuavam a olhar para nós. Fiquei desiludida por nenhuma ter virado a cabeça 180º...

Acho que é seguro dizer que somos as novas role models das moças.

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publicado às 23:59

A única rapariga que me conseguiu aturar 9 anos sem interrupções, afastamentos ou "pausas" surpreendeu-me no sábado, ao longo de todos este anos tentou lançar-me a bestas desconhecidas, em festas, em bares, por vezes até na rua, enquanto sorria e alegava que tenho que estar aberta para "amor" (obviamente o meu homem ideal é do tipo aventureiro que agarra bundas sem ver a cara). No entanto este fim-de-semana um colega dela decidiu pregar-lhe uma partida com a minha ajuda, o plano dele era fingir que estava a tentar engatar-me e avisa-la que andava apalpando terreno enquanto eu a ia bombardear com mensagens a questiona-la porque raio é que o rapaz se tinha lembrado de falar comigo de forma estranha e desabafar com ela que era uma merda ele estar com essas porcarias porque como a tínhamos como amiga em comum não o podia mandar passear para não criar mau ambiente. Honestamente fiquei surpreendida por ele ter percebido tão bem o tipo de reacção que eu teria, e aceitei. 

A reacção dela para comigo foi a esperada, disse que aquilo era muito estranho e que não estava a compreender o que estava a acontecer, mas com ele a conversa foi deveras diferente, algo que não esperava, disse-lhe para parar com aquilo, que eu era amiga dela à bastante tempo, que era nojenta a forma como ele estava a falar de mim e que me ia proteger daquilo. Fiquei em choque, sabia que ela não ia concordar a investida dele (afinal, as bestas nocturnas só rondam durante alguns minutos e acabam por nunca mais aparecer na minha vida (maior parte das vezes...), o amiguinho dela sabia como me contactar e havia a possibilidade de um dia sairmos todos juntos), mas nunca pensei que tivesse uma veia protectora tão forte e que a demonstrasse... Foi de tal forma surpreendente que me senti super mal por ter concordado com aquilo... Senti-me bem mais segura depois daquilo, talvez um dia, quando o desespero for grande, aceite ir a um blind date arranjado por ela como me anda a sugerir à meses...

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publicado às 15:51

Os nomes são importantes?

por Maki, em 21.03.17

Existe um senhor que costuma estar à porta do supermercado que costumo frequentar, nunca o vi a pedir nada, apenas a cumprimentar as pessoas enquanto olhava para baixo. Desejar uma boa tarde ao senhor passou a fazer parte da minha rotina, de tal forma que se vou às compras e não o vejo lá parece que o meu dia fica mais chato. O senhor sem nome tem um efeito maior no meu dia com o seu "Boa tarde" em plena rua do que muitas pessoas com nome.

No outro dia após lhe dar o "até logo" habitual, recuei e perguntei se queria umas barrinhas de cereais, e falámos durante algum tempo, o senhor sem nome já tinha percebido à algum tempo que eu era alentejana e ficamos ambos espantados quando nos apercebemos que eu sou da mesma terra que a mãe dele e que passo todos os fins-de-semana em que tenho a sorte de ir lá abaixo pela terra do pai dele mas que ele nasceu mais a norte. Agora sei que ele quer voltar para o Alentejo e que gostava de ter lá um montinho, mas que se recusa a ir para uma determinada terra porque o vinho é demasiado bom. Ainda não sei o nome do senhor, mas sei um pouco sobre quem ele é e as suas ambições... Não posso dizer o mesmo de várias pessoas com quem convivo todos os dias.

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publicado às 22:58

Eram quase oito da noite quando ouvi a campainha, como estava esfomeada fiz um pequeno sprintzito na esperança que fosse o meu pai com o jantar. Mas naaaaaaaaao... Em vez do meu pai estava lá um senhor com um monte de papeis na mão, para meu espanto o senhor não estava lá para falar de Deus, mas sim para falar do que ele considera ser o melhor pacote do mercado (e não, não era o seu rabinho).

Após explicar que não sou responsável por nada disso cá em casa disse o tradicional "se voltar mais tarde pode ser que esteja cá o meu pai", e não é que voltou? Não uma, não duas, mas três vezes no espaço de 45 minutos... sempre que ouvia o raio da campainha começava a salivar como se fosse o cão de Pavlov e corria para a porta, e sempre que a abria em vez do jantar encontrava o senhor... como devem compreender comecei a ficar ligeiramente frustrada. Heis que às nove ouço a porta da rua abrir... Finalmente chegava o meu jantar! O meu jantar e o raio do senhor...  Não é que o meu pai estava disposto a ouvi-lo? Às nove da noite... Apesar de ter a filha a morrer de fome o meu pai começou a dar conversa ao senhor em relação ao serviço (incrível como todos os termos relacionados com isto ou fazem com que pareça que estou a falar de drogas ou prostituição...). Sabem o que é ouvir um senhor a divagar enquanto se está esganada de fome? Eu sei... E quando digo divagar quero mesmo dizer divagar! O senhor começou a falar no produto e lá para o meio falou da tia. Da tia... Eu cheia de fome e o senhor a falar da sua tia... O meu pai também não é nenhum santo que também mencionou o meu curso, então quando o senhor resolveu voltar a falar do produto em si ouvi um "como a dona Maki deve saber". O que me irritou, não apenas por já passarem das nove e meia e eu continuar sem comer, mas também pelo tom cínico que nem se deu ao trabalho de disfarçar, no entanto como estava em fraqueza ignorei aquilo até que ele acrescenta "Ah, não me diga que é daquelas que deixa cadeiras por fazer". Ca-brão! Ok, por acaso até sou daquelas que deixa cadeiras por fazer, mas duvido que dizer essas coisas da filha de um possível futuro-cliente seja uma boa estratégia... Aliás, tendo em conta que a jovem em questão está com uma fome desgraçada tal acto podia muito bem ter acabado com o senhor a levar com uma cadeira (daquelas que por acaso não faço... de metal) na tromba.

Jantei às dez da noite...

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publicado às 02:51

Miragens em plena piscina

por Maki, em 21.07.16

Não sei se a culpa foi do calor, da luz reflectida pela minha tez, do sono ou da miopia, mas hoje de manhã ao estar a coisa de um metro do novo nadador salvador da terrinha vi uma cara completamente diferente da que vi esta tarde... Ou há dois nadadores muito parecidos ao longe e diferentes ao perto (pouco provável) ou o meu cérebro está farto dos rapazes da terrinha e resolveu-me pregar uma partida alterando a cara do amiguinho para me lavar a vista por breves momentos.

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publicado às 16:35

O meu novo colega de casa

por Maki, em 13.07.16

Quando voltei para a minha terrinha pensei que as únicas criaturas com que teria que partilhar a casa seriam da minha família, afinal enganei-me...

Ontem ao chegar ao quarto dei com o meu novo colega de casa... Um grilo quase do meu tamanho que se apressou para me cumprimentar saltando de alegria em direcção da minha perna, a minha reacção não foi das mais calorosas de sempre o que fez com que ele ficasse constrangido e actualmente habite algures na sala longe da vista (espero), mas não longe do coração.

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publicado às 00:20

Vizinho cantor

por Maki, em 10.07.16

Esta rua está maldita, ou será a minha família? A verdade é que tanto eu como a minha irmã conseguimos passar o secundário e as férias da universidade com música de fundo lírica. Qual é a probabilidade de numa rua com 5 casas e com 8 anos de intervalo existam 2 miúdos que gostam de cantar ópera? Tenho que admitir que o meu vizinho cantor é bem melhor do que o da minha irmã, mas não é que o raio do rapaz só sabe uma música? Pelo menos o cantor na altura dela tinha um repertório mais vasto.

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publicado às 14:20

Mosquitos dum raio!

por Maki, em 08.07.16

Como se não fosse suficiente chato sobrevoarem a minha cabeça quando estou a tentar adormecer, o raio dos mosquitos acham que o meu corpo é um buffet e que os meus pés são as mesas das sobremesas, até na sola dos pés os bastardos me picam. Nada mais apetitoso que sangue com um leve aroma a chulé. 

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publicado às 00:11

Finalmente de férias

por Maki, em 07.07.16

Estou finalmente de férias, acabei os exames, voltei para a terrinha, a ter vida e consequentemente tempo para ser mais activa no blog. Não há nada como estar na terrinha, sair de casa e dizer pelo menos boa tarde a duas pessoas, estar com os amigos que cresceram contigo e que te conhecem (talvez demasiado bem), apesar do calor, de passar a noite a ser comida por mosquitos e as tardes a me coçar devido aos mesmos não trocava a minha terrinha por outra. 

O problema da terrinha é que me faz pensar que sou infeliz em Lisboa. Na noite em que cheguei havia uma festa por estas bandas então acabei por ver pessoal que não via desde o secundário, Foi tão bom! Vê-los, ter daqueles momentos que poderiam ser considerados dramáticos se a intenção de corrermos uns na direcção dos outros não fosse para nos tentar-mos derrubar. Na faculdade não tenho nada disto. Existem semanas em que não vejo ninguém conhecido na faculdade, em que entro e saio dos anfiteatros sem que ninguém repare, no fundo sou invisível. Não foi sempre assim... Houve uma altura em que tinha uns bros com quem falava e andava de um lado para o outro enquanto eles viam instagrams de gajas os comentavam e esporadicamente lá soltavam um ou outro pum, mas entretanto eles começaram a fugir de mim e eu percebi a ideia, mas agora nada disso importa porque estou finalmente de férias!

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publicado às 02:40


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